Depois que o corpo sofreu o que não podia, parou, derradeiramente.
Aí tinha de ser guardado.Onde, não sei.
E guardado para quê?
Coisa estranha, tinha mesmo é que cremar.
Mesmo para cremar tinha uma big cerimônia.
Diversos presentes, todos respeitosos e aderentes ao velódromo.
Que iria gerar cinzas (que nunca busquei).

Comprei a música de um site.
Que foi a música de fundo do velódromo.
Coisa que só eu sabia – e talvez ninguém suspeitasse – de fato – o que era.
É que a ex adorava cinema.
Então, botei Cinema Paradiso.
Pronto. Foi assim.
E o corpo se foi.
Após o “enterro” simbólico, as pessoas foram embora, para suas casas, seus trabalhos, sei lá, não importa.
E eu fiquei sem um pedaço de minha existência, assim que o corpo desistiu de viver.
Fiquei perdido, feio um bobo.
Mas não fui buscar os restos mortais, as tais das cinzas.
Deixei pra eles.
O que é que fizeram delas não sei..
Nem quero saber.
Que é que se quer lembrar de um corpo que morre?
E que leva um pedaço da gente, junto?

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