Os dois. Plutocracia, porque o que vale aqui no Brasil é o poder do dinheiro – e não a satisfação dos eleitores. Além de votarem verbas bilionárias para o dinheiro de nossos impostos garantirem suas próximas eleições, e se reelegerem, os políticos cobram das empresas verbas milionárias para fazer leis permanentes, decretos provisórios, acertos de não pagamento de impostos devidos para as empresas que os financiam com mesadas praticamente permanentes ou mesmo quantias exorbitantes pagas de uma única vez. Propinocracia porque esse dinheiro entra de forma “legal” (como contribuição oficial aos partidos) e “ilegal” (como caixa 2, pago à parte em espécie, em reais, ou depositado em contas de bancos no exterior, em qualquer moeda que não seja o real).

Além do que nossa camarilha política nos custa oficial e legalmente, com seus salários escorchantes, ajudas de custo para tudo (moradia, carro, assessores, empregados e outros itens), ela nos custa também os valores dos impostos de que se apropriam para se reelegerem e os valores de contratos com empresas, que são todos majorados (ou superfaturados, como se costumava dizer) para deles extrair os fundos de todas as contribuições, sejam oficiais ou não. Ninguém é capaz de realmente dimensionar quanto nos custa essa caterva política, se tudo tiver de ser somado e efetivamente contabilizado. Os valores que nossos sanguessugas políticos consomem da sociedade brasileira são de fazer inveja a qualquer país do mundo e, se alguém algum dia montar um ranking por país, vai certamente descobrir que somos os campeões no pagamento (direto, indireto, legal e não legal) de nossos “Parlamentares” e (como agora também estamos descobrindo) Juízes, Procuradores e até membros dos Supremos (Eleitoral e de Justiça). Ou seja, a pouca vergonha, ou a sem-vergonhice,e a canalhice total, permeia os 3 poderes, que se mancomunaram e perpetuam, coniventemente, esse estado de coisas e o nosso Estado-Nação, sem qualquer pudor ou vergonha. Uma mão lava a outra e as três lavam a bunda.

Sujo fica o brasileiro. Estúpido, porque vota nesses canalhas. que se perpetuam no poder, favorecendo a si mesmos e às empresas que os financiam – e nunca aos eleitores que os colocaram no poder. Ignorante, porque não tem a menor ideia de que aqui se cobram os maiores impostos e os maiores juros do mundo civilizado (um brasileiro médio trabalha ao menos 7 a 8 meses por ano somente para pagar impostos, num regime de semi-escravidão institucionalizada. Quando precisa de crédito, dependendo do tipo, chega a pagar 500% ao ano). Desdignificado, se é que a palavra pode existir, porque o governo não devolve em serviços o que toma do povo e não promove um crescimento real da economia, pagando bolsas isso e aquilo para perpetuar seus votos, dando a impressão que isso é para erradicar a pobreza, quando isso é de fato para mantê-los eleitores subservientes e eternos do regime que semi-escraviza, sem lhes dar de fato nenhuma alternativa de mobilidade social ascendente (ou seja: mantendo-os numa condição indigna pelo resto de suas vidas).

Por isso tudo tenho vergonha de ser brasileiro, cada dia mais. E vendo que os 3 poderes são de fato mais “foderes” do que “poderes”,sem que eu ou qualquer brasileiro possa mudar este estado de coisas institucionalizado, não desejo nada mais do que partir deste planeta o mais breve possível. Para o bonde, que eu quero descer. E nunca mais voltar. Aqui não, se por acaso fosse possível voltar. Prefiro pensar que a minha existência foi absolutamente inútil e que se encerrou em si mesma. Para o todo e sempre. Brasil nunca mais. Mas deixo um recado pra aquele Deus bondoso e todo poderoso que minha mãe insistia que existia – e o ensino do catecismo na escola primária também: meu, vai ser um projetista ruim assim lá no inferno! Capricha mais da  próxima vez. Não põe a área de lazer ao lado da saída de esgoto. Nem projeta um país onde quase 200 milhões vivem no esgoto e alguns poucos milhares vivem somente no lazer.

 

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