Sei que Temer não é um Magri, mas como brasileiro gostaria que fosse, que tivesse o mesmo tipo de culhão e postura para resolver – e não para coalizar (verbo novo mas já antigo).

Essa coisa de “governo de coalização” estragou o Brasil, desde a constituição de 88. E com o lulapetismo a coisa se consolidou e permeou todos os órgãos e empresas públicas, vergonhosamente.Todos os principais cargos foram dados a cupinchas, em troca de votos, favores e facilitações de esquemas de corrupção desvairada.

A esperança de verdadeiros brasileiros – ou cidadãos que aqui nasceram e vivem e pensam na nação, antes de tudo – era que o afastamento da Dilma e do PT abrisse espaço para se corrigir erros cometidos por um partido que não mediu consequências para praticar um populismo maldito e às antigas, com discursos fajutos que não tinham mais validade nem na época da queda do muro de Berlim.

Os lulapetistas só enxergam as crenças em que querem acreditar e, incrivelmente, tem seus interesses ideológicos acima de qualquer coisa que beneficie o país em que nasceram e vivem. Infiltrados em todas as camadas da esfera pública, atravancam serviços, fazem manifestações e remam contra qualquer coisa que signifique mudar o passado, alegando que estão defendendo seu legado. Seu legado não passa de um país com 13 milhões de desempregados, inflação anual de 10% e rombos estratosféricos nas três esferas públicas: federal, estadual e municipal. Orçamentos que mal pagam os salários dos servidores, com a queda da tributação de um PIB que caminha para os -5% anuais.

Temer, que era nossa esperança constitucionalmente possível, já começou a balançar já na nomeação dos ministérios. Acostumados a cotas para negros, cotas para mulheres, cotas para índios e cotas para o diabo que seja, os lulapetistas reclamaram que não tinha mulher no ministério. Claro: nem negro, nem índio, nem amarelo, nem deficientes (o objetivo aqui é não ser politicamente correto e sim corretamente político). Deixa reclamar. Tudo tem seu tempo.

Depois veio o episódio do Ministério da Cultura, blá blá blá. Com os funcionários da área vaiando o ministro novo, fazendo boicote, protesto, não deixando o homem nem falar. Tinha é que botar todos eles na rua – ou se não pode, porque não tem bilhete azul no funcionalismo público, não sei – transferir todos para um posto muito além do Acre. Em Brasilia não: tem que ter gente que faz o Brasil acontecer de verdade. E – perdoem-me – cagar e andar para as manifestações de artistas completamente ignorantes em Canes, vestindo suas roupinhas de grife e protestando contra o impeachment, o Ministério e o escumbal. Gente mimada e chupim, acostumada a mamar nas tetas de projetos governamentais que facilitaram a compra de suas roupinhas de grife e viagens para protestar até em Canes. É bacana ver esquerdinhas andando de limousine e vestindo grifes caras. Protestando em Canes. Por mim, podiam ir – e apodrecer – em Cuba ou na Venezuela, que está tentando ser pior que Cuba rapidamente. Maduro está se empenhando muito – isso não podemos negar.

Mais um pouco e caem dois ministros recém empossados, enfim, gente que era para ser do bem mas tinha a língua comprida demais ou o rabo preso demais e, resumindo, não estava de fato alinhada. Não deu nem um mês, dois bota-fora rapidinhos. Com essas e outras, a credibilidade (do Temer) indo pro saco.

Agora vem que o Temer assinou o aumento dos servidores públicos, que vai provocar um rombo de mais 60 bilhões (e outras nefastices). Num momento em que os municípios, estados e mesmo o governo federal precisam estancar todas as sangrias. Os servidores públicos que me perdoem: deviam estar felizes aqueles que conseguirem permanecer nos seus cargos, por terem alguma relação de utilidade com o povo brasileiro: prestar serviços honestos e decentes. A desculpa é que é para contemporizar – digamos assim, “coalizar” os interesses e fazer a máquina pública trabalhar. Há 13 milhões de brasileiros candidatos a esses cargos de funcionários públicos que topariam, sem pestanejar, ocupar seus cargos com os salários e benesses atuais – sem qualquer reajuste. E garanto que, neste contingente, há gente muito mais competente do que os raivozinhos que hoje ocupam os cargos. Só a aposentadoria integral já seria um enorme atrativo, uma vez que ela não é paga pelos beneficiários – e sim pelos trabalhadores do setor privado que recebem no máximo 20 salários mínimos de aposentadoria. O grande rombo da previdência não é devido ao que os trabalhadores do setor privado recolhem (esse papo de aposentar aos 60 ou 65 é falácia perto disso), e sim ao que os beneficiários do setor público recebem sem nunca ter contribuído para isso (no setor privado, quem quer se aposentar com mais, paga uma previdência privada. No setor público, as pessoas se aposentam com o salário integral sem nunca terem contribuído para isso. Quem paga são os brasileiros que vivem fora das benesses do Estado).

Então, olhando em perspectiva, é desanimador ver um sujeito até que bem intencionado, que aparentemente não se envolveu nos inúmeros e meandrosos esquemas de corrupção, se acachapar diante de tantas bobagens e distorções, manifestações de lulapetistas e pseudo esquerdinhas de carteirinha.

Se esse homem (o Temer) não parar de se acovardar e ou de “coalizar” (ou temer, não sei o quê), infelizmente, corremos o risco de ter de volta o PT e e a própria Dilma, sim, aquela que não consegue concatenar uma idéia do começo ao fim, mas tem a capacidade de afundar o país com uma velocidade e uma precisão inauditas. Nesse sentido ela é Madura. Ela tem a Chave. E (nela) inCubadas todas as capacidades de destruição do País. Ainda que não reconheça ou – quando inquirida se fez algum mal ao país – tenha a soberba capacidade de responder, como uma criança de dois anos que mal aprendeu a falar: “Não sei, não sei não”.

Por isso tudo, queria ter um presidente que eu amo.

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