O que penso da vida??? Penso que ela é estúpida. Nos prega peças e mal entendidos de nós mesmos.

Cristal, copo de gelo, água de ferro, mar de açucar. Voz e som. Luz e sobra. Sobramos dentre isso tudo. Assim, por estalos repentinos, temos a consciência brutalizante: estamos à margem de não sei exatamente o quê, não sei exatamente aonde. Nos transmutando em ilha, deserta, mesmo que no centro de uma cidade empencada de gentes. Faces e rostos, centenas, milhares, milhões: semblantes do quotidiano, sem antes, sem depois.

Há, sim, momentos bons. Há momentos de extrema beleza. Como há a música de Bach. Ou as músicas do filme “A Missão”. Coisas lindas, de enternecer e me fazer escrever, outra vez. Ainda que me repetindo, sempre.

que sei é que não me basto. Isto eu constato, sinceramente: não me basto. E, enjoado de mim, enfadado de mi, ainda que fadado a mi, prossigo, nessa ilha que sou. Nesse não ser não sei o quê.

Queria agora, apenas (e tanto) que o espírito de Clarisse Lispector me invadisse, me dominasse, com aquela delicadeza que ela tinha sobre tido o que escrevia. Imagine eu, transmutado, de possesso a possuído, tomado. Iluminado. Escritor-escultor-pintor-desenhista-musicista. Místico até, botando para fora de mim o intrínseco, com simplicidade absoluta. Ou mostrando a dor atrofiada: mostrando os secos da existência. A vida não vivida, desperdiçada. Atrofiada mesmo. Atormentada pesas sistêmicas exigências do dia-a-dia: a dureza de ter de ganhar o pão, de ser uma uma simples célula de reprodução social, obedecendo a um contrato que não assinamos quando nascemos – mas que nos persegue durante toda a vida. E que nos pune de maneira abominável se suas regras infringirmos. O que nos leva a fazer tudo dentro dos conformes, ainda que fiquemos completamente disformes, dentro de nós.

(como escrevo mal, desculpe-me Clarisse).

Tênue linha esse jeito de viver. Tênue e extenuante. por vezes. Vida tramada, feito a teia da aranha. E frágil, feito ela.

Há músicas que são beijos. Profundos, Carinhosos. Ternos. São beijos na existência.

E como estes fazem falta! Como nos faltam! Mais do que , por vezes, alguns serem esquizoides, amados, mas que não deixam de ser esquizoides. Imersos na sua própria perturbação da existência. Sua própria ilha. Sua própria fusão com o todo. à sua Manira. A seu modo de ser.

Um modo que não é o meo, nem o seu (leitor): é o deles. É o de cada um (de nós). Maldito um. Maquiavélico Deus: divide para reinar. Nos divide. E foi assim que foi criado o sofrimento: essa sensação de falta, permanente, que é fugazmente preenchida pelo outro, um (outro) além de si. O mais é fé. E, homens que somos, inventamos para isso as religiões. e todos os teores, com todos os temores, todos os terrores do porvir.

O futuro encerra o desconhecido. O medo excêntrico plausível. A vid carece de um eixo, um conforme. Que conforme?  Conforme  quê?

Viva o uísque e os cigarros: bons companheiros, assim como a boa música. Pouco susceptíveis a influências ortodoxas e heterodoxas. Endógenas ou exógenas. Melhores que qualquer medíocre programa de TV. Porque digo isso? Porque essa subcultura me irrita profundamente. Vir uma perfeita tia velha , ranzinza,ao somente ouvir o som de uma TV aberta. Novelas?? Bahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Faustôes: Argssssssssssssssssssssssssssssss. São simples merdas de entretenimento para nós, células de reprodução social.

 

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